Milhões de dados de usuários do Facebook expostos publicamente nos servidores da Amazon Cloud

Os dados de centenas de milhões de usuários do Facebook estão sendo armazenados publicamente nos servidores em nuvem da Amazon, descobriram pesquisadores de segurança cibernética UpGuard.

Os dados de centenas de milhões de usuários do Facebook estão sendo armazenados publicamente nos servidores em nuvem da Amazon, descobriram pesquisadores de segurança cibernética UpGuard. Dados altamente sensíveis foram postados para o público ver e baixar, variando de senhas, endereços de e-mail, nomes de contas e números de identificação a comentários e reações. Os servidores de armazenamento não eram protegidos por senha, o que significa que qualquer pessoa poderia visualizar ou baixar os dados neles. Esse é mais o mais  recente escanda-lo em uma série de problemas de privacidade que o  Facebook tem deixado vazar, muitos dos quais surgiram nos últimos meses.

Em um exemplo, a plataforma digital Cultura Colectiva , da Cidade do México , armazenou abertamente 540 milhões de registros em usuários do Facebook, incluindo números de identificação, comentários, reações e nomes de contas. Os registros estavam acessíveis e podem ser baixados para qualquer pessoa que possa encontrá-los on-line. Esse banco de dados foi fechado na quarta-feira depois que a Bloomberg alertou o Facebook sobre o problema e o Facebook entrou em contato com a Amazon. As ações do Facebook pararam seus ganhos após o relatório da Bloomberg News. Esse pode ser mais um dos muitos vazamentos de informações privadas intencionalmente realizada pelo Facebook, já que compartilha e negociam informações com terceiros.

Facebook compartilhou este tipo de informação livremente com desenvolvedores de terceiros por anos. O problema do armazenamento público supostamente " acidental" pode ser mais extenso do que essas duas instâncias. O UpGuard encontrou 100.000 bancos de dados abertos hospedados na Amazon para vários tipos de dados, alguns dos quais ele espera que não sejam públicos.

A Cultura Colectiva é uma plataforma digital que publica histórias sobre celebridades e cultura e atinge principalmente o público latino-americano. O site da empresa diz que cria conteúdo através de dados e tecnologia e tem mais de 45 milhões de seguidores no Facebook, Instagram, Twitter, YouTube e Pinterest o que pode acarreta mais de 45 milhões de contas de usuários expostas.

O Facebook, por muitos anos, permitiu que qualquer pessoa que estivesse criando um aplicativo em seu site obtivesse informações sobre as pessoas que usam o aplicativo e sobre os amigos desses usuários. Uma vez que os dados estão nas mãos do Facebook, e dos desenvolvedores, eles podem fazer o que quiserem com eles.

Facebook deixou públicos os conteúdos de mais de 14 milhões de utilizadores.


Em 2018 novamente o Facebook voltou a ser o centro de um escândalo de privacidade ao tornar públicos os conteúdos de mais de 14 milhões de utilizadores. A companhia disse que era um vírus que causou a origem do problema

A opção escolhida previamente na configuração permite tornar as publicações privadas ou públicas e manter essa escolha em cada publicação posterior.

De 18 a 22 de maio deste 2018, durante testes para uma nova opção de conteúdo, supostamente o Facebook disse que o vírus tornou públicas milhões de publicações pre-configuradas que estavam privadas ao sugerir a mudança da pre - configuração.

Em causa, porém, a privacidade dos utilizadores e a credibilidade da rede social na proteção exigida, depois do escândalo da partilha de dados pessoais não autorizados a empresas fabricantes de smartphones.

Utilizadores lançam campanha contra o Facebook


Desde de 2018 com os escanda-los anteriores do Facebook, utilizadores das redes sociais lançaram uma campanha, #DeleteFacebook, que apela à eliminação das contas abrindo ainda a porta a procedimentos judiciais. A campanha já conta com a participação do co-fundador da aplicação Whatsapp, Brian Acton.

Num café em Berlim já há quem esteja a considerar desativar as contas pessoais. No entanto, cancelar a inscrição não é tão fácil quanto parece.

"Estou um bocado preocupado com o que o Facebook está a fazer com os meus dados, claro. Depois do que li na imprensa, isto reforçou os meus receios. Ao mesmo tempo, não estou assim tão surpreendido que este tipo de coisa aconteça porque no fundo trata-se de dar muita informação valiosa a uma entidade que a utiliza para obter lucros", afirma Jacopo Gottlieb, um italiano originário de Génova.

Para os jovens, a ideia de viver sem o Facebook ganhou uma nova força.


"Pessoalmente quase não utilizo o Facebook porque sou mais ativa noutras redes sociais. Todos os escândalos anteriores relacionados com o Facebook vieram reforçar as minhas suspeitas", adianta Lea Bloemeke, uma jovem alemã.

As recentes revelações vieram chamar a atenção para a necessidade de proteger os dados individuais.

"Po exemplo, estar aqui, neste café, utilizando wi-fi significa que os meus dados podem ser registados e depois vendidos" afirma Thomas Helbig.

Noes Estados Unidos, uma residente do estado de Maryland, Lauren Price, apresentou no tribunal uma queixa coletiva contra a plataforma Facebook, o primeiro processo judicial do género que acusa a rede social de não proteger os dados dos seus utilizadores.