Saudade e carência: qual a diferença? - Coletividade Evolutiva

Saudade e carência: qual a diferença?

Saudade e carência: qual a diferença?

Existe uma linha muito tênue entre a saudade e a carência, é como se os dois sentimentos possuíssem a mesma origem: o passado. Porém, se distanciassem na forma como se apresentam: uma está mais próxima da contemplação deste passado e a outra se aproxima mais da sensação de vazio e de falta que este passado traz.
De forma prática, a saudade corresponde a um sentimento de nostalgia que é evocado através de lembranças específicas. Essas lembranças geralmente trazem momentos em que a pessoa se sentia amada, cuidada e alegre. Já a carência corresponde à sensação de falta destes momentos, gerando como consequência uma dependência dos mesmos momentos para se sentir completo (a).

Logo, sem uma autoanálise, o indivíduo pode confundir esses dois sentimentos expressando-os de forma incompatível com o seu desejo real. Como a carência faz o indivíduo entrar em contato com a sensação de falta, automaticamente ele identifica a sua necessidade de ter e de se preencher, é por isso que a carência é geralmente acompanhada de atitudes impulsivas.
Exemplo: Você está caminhando quando alguém passa e deixa o perfume daquela pessoa com que você conviveu, mas que não está mais presente em sua vida. É provável que você relembre alguns momentos vividos com ela ou que a imagem da pessoa apareça em sua mente, e você sinta saudades. Porém, caso você não tenha elaborado e compreendido o afastamento entre vocês, e por perceber que se encontra sem as sensações positivas que teve em alguns momentos com esta pessoa, ou ainda, que está sem qualquer outro relacionamento compatível com os seus desejos e necessidades atuais, pode através de uma atitude impulsiva entrar em contato com este antigo relacionamento e expressar os seus interesses para com ele.

Esta situação sugere um grande risco de frustração, pois devido à solidão, pode-se buscar relacionamentos que não darão o suporte que o indivíduo precisa no momento, contribuindo ainda mais para que se instale a sensação de vazio ou de dependência emocional.
Quando a pessoa entra em contato com a carência ela automaticamente identifica o vazio que sente, e por ser doloroso “se perceber vazio” ou com a falta de bons momentos ou de alguém, a pessoa acredita que a sensação de falta significa que ela ama o outro, e nesse caso acaba levando para a relação as suas dores ao invés de levar o que realmente sente pela pessoa “amada”, até porque a sensação de solidão é tão intensa que ela somente quer encontrar algo ou alguém que a preencha e que a tire do seu sofrimento. Outro prejuízo que a carência traz é a dificuldade de entrar em contato com a realidade.

A sensação de falta faz com que o indivíduo idealize o passado e queira reproduzi-lo no presente, assim, ele geralmente seleciona um momento específico e dá à ele um poder mágico, um encantamento, esquecendo completamente o contexto em que foi vivido: Às vezes o relacionamento era conturbado, mas a pessoa por atualmente se sentir sozinha desconsidera os aspectos negativos e deseja reviver este relacionamento. Ou, o relacionamento era muito prazeroso porém acabou quando a paixão saiu de cena, mas mesmo assim a pessoa por não sentir mais a euforia da paixão e ter que conviver com a vida real, deseja reviver este relacionamento sem considerar que a realidade e euforia não conseguem se sustentar juntas.

Por isso a autoanálise é tão importante, é a partir do autoconhecimento que o indivíduo consegue identificar os seus sentimentos e expressá-los fielmente, sem confundi-los. Então, quando você perceber que está sentindo falta de algo ou de alguém, avalie como está a sua vida no momento, e com foco na realidade, reflita sobre as possibilidades de se satisfazer sem depender disto para se sentir constantemente feliz.
Talvez você somente precise de um carinho, mas não necessariamente daquele carinho específico. E quando você sentir saudade, mantenha o foco no seu presente e contemple a lembrança como mais uma história da sua vida, mas não transforme esta lembrança no significado de toda a sua felicidade. Lembre-se: é você quem estabelece os limites entre a carência e a saudade, se conheça e respeite os seus sentimentos.

Autor
Jéssica Horácio é psicóloga, possui formação em Psicoterapia Corporal - Reichiana. Trabalha como psicóloga clínica em Consultório de Psicologia LivrementeS - Criciúma/SC, e como psicóloga social em Casa de Repouso localizada no município de Içara/SC.
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Autor: Fabio Allves
Fundador do Coletividade Evolutiva; Um ávido pensador livre, eu partir em uma missão em busca da verdade de qualquer forma que ela venha. Desde meu despertar há vários anos, minha paixão por conhecimento e justiça me levou a uma jornada em busca de pesquisas profundas. A informação está livremente correndo nas mãos do público, então o meu objetivo é ajudar a facilitar o fluxo complexo de informações, de modo que outros posam facilmente alcançar seu próprio despertar e fazer parte da inevitável mudança que acontece ao desperta a sociedade. Saber Mais


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